Da investigação sobre o Alzheimer, até à tecnologia que vai ajudar o próximo rover a sobreviver ao frio de Marte. O PÚBLICO contactou algumas universidades portuguesas para ouvir o que de mais interessante se fez no ano que terminou. A lista resultante é uma pequena amostra da realidade, mas revela que a ciência nacional está em evidência em muitas áreas.
Estrelas de matéria escura
É uma antiga guerra teórica dos físicos: o que é que acontece quando as estrelas deixam de ter matéria para consumir? Uma das principais teorias defende que o seu peso obrigaria a estrela a colapsar, originando um ponto de densidade tão alto – os chamados buracos negros – que sugaria até a luz, e onde o espaço e o tempo se comportariam de uma outra forma. Mas houve sempre teóricos que criticaram este conceito excepcional de “singularidade” dos buracos negros, que existiriam em vários pontos do universo. Num artigo aceite para publicação na Physical Review Letters, Paolo Pani, Vitor Cardoso e Térence Delsate, do Instituto Superior Técnico, sugerem agora que este colapso das estrelas não resultará numa singularidade e explicam que o aumento súbito da densidade da matéria pode originar uma nova força gravitacional, a chamada matéria escura. O resultante será uma “estrela de matéria escura” invisível aos telescópios.
